A ideia da liga foi compensar a paralisação do calendário em março por causa da pandemia com um torneio curto, de menos de um mês de duração. Para a competição ser mais atrativa, valerá pontos para a temporada da MLS e renderá ao campeão vaga na Liga dos Campeões da Concacaf, disputada por times das Américas Central e do Norte. O formato é simples: os 25 participantes estão divididos em seis grupos, e 16 avançam para o mata-mata das oitavas.

A proposta agradou aos clubes, mas houve um grande imprevisto de última hora. Na segunda-feira, o FC Dallas se retirou da competição depois de dez jogadores testarem positivo para o novo coronavírus. O monitoramento de casos é uma preocupação constante da liga, que realiza testes nos atletas a cada 48 horas.

Todas as equipes estão hospedadas em um mesmo complexo hoteleiro da Disney. Apesar de compartilharem às vezes o mesmo prédio, cada delegação está em um andar diferente e com os atletas acomodados em quartos individuais. Nesse andar, há refeitório e sala de jogos exclusiva para cada time. "A gente usa máscara o tempo todo. Só tiramos na hora de comer. O cuidado está sendo o máximo para que nenhum jogador possa se infectar", afirmou o volante Judson, do San Jose Earthquakes.

Um detalhe curioso de toda essa logística de cuidados está na hora dos treinos. O complexo que recebe a MLS tem quatro campos disponíveis para os 25 times, porém foi necessário organizar um revezamento nesses locais. Cada equipe pode utilizar o gramado por 1h30. O tempo é o mesmo na academia. Os elencos fazem o trabalho de musculação e depois uma empresa de limpeza realiza a desinfecção dos equipamentos para o time seguinte utilizar.

"É um torneio de tiro curto, e tudo pode fazer a diferença. Temos de estar bastante concentrados. Estamos há mais de dez dias em Orlando, fomos a primeira equipe a chegar, estamos nos ambientando bem ao clima", disse Judson ao Estadão.

Quando os times vão para o treino, se locomovem em ônibus e apenas um jogador pode se sentar por fileira. O banho tem de ser feito nos quartos. Na hora das refeições, somente cinco atletas podem se sentar por vez nas mesas. A reunião de tantos times e jogadores no mesmo local também gera situações curiosas. Os jogadores costumam encontrar o adversário com frequência na recepção do hotel. São todos amigos.

"A gente se encontra no hotel, cumprimentamos alguns jogadores que já conhecemos e conversamos com os brasileiros, mas sem apertar a mão e mantendo a distância. Nos treinos é tudo seguro, porque a liga inspeciona tudo", disse Judson.

A abertura do torneio será entre Orlando City e Inter Miami, às 21 hora (de Brasília). O Orlando tem o português Nani, ex-Manchester United.

Ciro Campos - Estadão Conteúdo